
Naquela casa, todas as pessoas já tinham ido dormir, exceto duas crianças, Graciele e Amanda. Elas haviam combinado que iriam fingir que dormiam para que ninguém lhe perturbassem e assim que todos já estivessem roncando, iriam levantar e se encontrariam na varanda para conversar.
Quando eram 22:30, Graciele se levantou calmamente e caminhou em direção a cozinha, o local onde haviam combinado, Amanda já deveria estar esperando, porem não estava. Ela continuou a caminhar ate a tomada, acendeu a luz e sentou em uma cadeira se escorando sobre a mesa. Após alguns minutos, cansada de esperar, levantou-se, foi ate a pia e pegou um copo de água para beber. Em apenas uma inspirada tomou alguns goles de água em seguidas. Sentou-se novamente na cadeira e suspirou, pensou consigo mesma: “Se ela não vier até as 22:45 eu irei dormir”. Quando faltou dois minutos para se levantar e desistir de tudo, Amanda aparece com uma cara de azeda sussurrando:
- Me desculpe, mas lá no quarto tinha uma barata, mesmo depois que papai a matou, mamãe demorou para pegar no sono… e eu fiquei ali, sentindo aquele fedor de barata morta no chão perto de mim. – Amanda revirou os olhos com uma cara de indignada e continuou falando: – Acho melhor irmos antes que alguém apareça…
Graciele se levantou da cadeira, empurrou-a para debaixo da mesa e seguiu em direção a porta que abria para a garagem. Amanda que estava um pouco adiante, destrancou a porta fazendo o mínimo de barulho possível e saíram silenciosamente. Na garagem não havia carro estacionado, pois estava sendo utilizada para as festas durante o dia. Uma única luz clareava parte da garagem e o canto da varanda. Ao chegarem na varanda, sentaram-se no chão apoiando as costas na parede. Sentadas, uma olhou para o rosto da outra e Amanda disse:
- Sobre o que vamos conversar hoje?
- Eu não sei – respondeu Graciele – Mas estive pensando depois de ver o filme Gato de Botas. Você realmente acha que gatos podem falar?
- Hum, eu acho que sim, mas eles não nos deixam saber…
- Por que não? Seria tão legal, poderíamos passar horas e horas conversando com eles. – Graciele ficou imaginando por instantes como seria se o Mandoring, seu gato, falasse.
- Acredito – respondeu Amanda – que eles não falam com as pessoas por um único fato: não querem ser escravizados. Você já percebeu como esses bichanos são inteligentes? – Indagou Amanda observando a cerca que dividia o jardim com a estrada.
- Ah inteligentes, eles são realmente espertos. Até poderia dizer que são uns charlatões, conseguem tudo o que querem fazendo manha e não passam de uns vadios. – Respondeu Graciele.
- Hahahaha como você é. – Amanda achou graça da forma cínica em que Graciele entonou o tom de voz. – Eles são gatos oras, quando querem um afago eles pedem por isso e quando querem comida, bem, eles sabem usar suas táticas.
- Mas por que você disse que eles seriam escravizados? – Questionou Graciele passando a mão sobre o rosto, estava uma noite muito quente.
- Disse isso porque os adultos vivem para trabalhar, já notou? Tudo que fazem é em torno do trabalho, minto, dinheiro. Agora, imagina a situação de um gato falante nessa historia? O gato, um ser vagabundo nato, iria ficar amolando os donos para não perderem tanto tempo trabalhando. Os gatos falariam que o melhor da vida é ficar deitado descansando e fazer o que quer na hora que bem entender. – Amanda parou por um instante, pensou e continuou dizendo – Os donos dos gatos não iriam gostar muito dessa ideia, desta forma, colocariam os gatos para trabalharem, eles não são tao espertos assim? Da tamanho esperteza e comunicação, poderiam trabalhar até como recepcionista de empresas, já imaginou?? – Amanda soltou uma gargalhada nessa hora, até ela estava se divertindo de suas hipóteses malucas.
- Hehehe, verdade. Eles atenderiam o telefone dizendo: Alooow, com quem gostaria de falar? Miau gronc gronc. – Graciele também ria de suas besteiras, após segundos continuou dizendo como seria o gato em um escritório. – Aposto que o gato seria o funcionário mais vadio da empresa, apesar que seu único salário seria a própria comida, ate desmarcar seus banhos no veterinário ele poderia hehehe.
- Mas se os gatos falassem, ate poderiam perder a chance de ter um lar decente. Os donos poderiam mandá-los para trabalhar não para ganhar comida, mas o dinheiro. O dinheiro que recebessem seria para pagar aos donos, que estes iriam lhes exigir cada dia mais. Chegaria o momento em que os gatos trabalhariam até mais horas do que o ser humano. Talvez um dia mudaria quando houvessem os direitos do trabalhados para gatos. – Amanda percebeu que a história ainda iria longe, se gatos realmente falassem, muitas coisas seriam afetadas, tudo mudaria.
- É talvez os gatos devessem mesmo ficar com a boca calada, para o bem deles. Mas mesmo assim, quando eu voltar para casa, vou pegar o Mandoring e mante-lo trancado comigo no quarto por um bom tempo, vamos ver se ele pede para sair. – Graciele sorriu para Amanda.
- Hum, acho que isso não fara nem perto de fazê-lo sair, o máximo que ele fará é deitar na cama e dormir hahahaha. – Amanda refletiu sobre o assunto e disse: – Bem, talvez tenha alguma coisa de comida que destrave a língua do gato né?
- Hahaha – riu Graciele – Está achando que gatos são como papagaio agora?
- Ahhh vai saber!! Pois bem, conversaremos mais amanhã, agora estou com sono e já é tarde, vamos entrar.
Amanda colocou suas mãos no chão e com um impulso ficou de pé. Estendeu a mão para Graciele e juntas seguiram o caminho em direção a garagem, cozinha e enfim, seus quartos.
Posted April 28th, 2010. 5 comments
Autora: Laize Kasmirski

Ficamos presos durante anos em um prédio fechado, ninguém entrava e ninguém saia. Vivíamos ali em umas 15 pessoas, não tínhamos nada para comer, nem para beber e eu sempre me dispunha a ajudar os outros quando fosse necessário.
O clima ali dentro estava ficando cada vez mais tenso, não tínhamos idéia porque estávamos trancados ali, não fazíamos idéia do tempo em que ali ficamos, pois o tempo para nós não existia.
Houve um dia, em que uma pessoa abriu a porta e entrou no prédio, foi diretamente para o quarto em que nos encontrávamos. Após tanto tempo não tendo contato com mais ninguém, a primeira reação nossa foi de medo. Ele parecia ser mal, não parecia ser igual a nós. Ele vestia roupas pretas, tinha uma pele clara, olhos e cabelos castanhos. A cor a nosso ver, era muito mais nítida que o normal. Sentimos uma sensação estranha, por mais que encaramos ele, todos ali presente, ele não olhou para ninguém nem sequer uma vez.
O medo me fez agir, não pensei em mais nada senão fugir dali. Peguei um pedaço de tábua quebrada que estava jogada no chão e corri em direção a janela. Bati com toda minha força e consegui quebrá-la. Os outros me observavam assustados, o homem naquele momento virou instantaneamente a cabeça para ver a janela que havia sido quebrada. Meu temor aumentou, olhei para baixo, devíamos estar no sexto andar. Todos eles me encaram com um ar de desaprovação, não poderia pular, não sobreviveria. Mas eu não pensei no que aconteceria, apenas pulei.
Durante a queda, eu não senti medo, eu somente caia, sem pensamentos, sem emoção e sem reação. Quando bati no chão, não pude ouvir nada. Não houvera um baque, eu cai no chão deitada. Olhei ao redor, ninguém viera me ver ou me acudir. Foi então que percebi, já estávamos mortos há tempos.
Posted April 2nd, 2010. 8 comments
Autora: Laize Kasmirski

O quarto estava infestado de insetos, não sabia mais o que fazer para que parassem de surgir ainda mais. Encostou a janela e sentou na cama com suas mãos embaixo das coxas. Olhou para cima, o teto estava infestado deles. “Oh não, como vieram parar aqui? Saiam, saiam. Preciso dormir”. Não se deu por vencido, abriu a porta do quarto, atravessou correndo o corredor e voltou em seguida com uma vassoura na mão.
“Se não querem sair por bem, será por mal”. Começou a cutucar um a um os insetos que estavam no teto, assim que iam caindo, jogava-os contra a parede e em seguida arremessava-os para fora através da janela. Um a um foram saindo. Quando se esparramou na cama, cansado de tanto pular, correr e bater, escutou um barulho nos fundos de sua cama. Foi até a beirada ver o que era e encontrou um vagalume enroscado na teia da aranha. A aranha a cada meio tempo corria para cima do vagalume, golpeava e voltava. Assim permaneceram durante minutos.
Com pena do vagalume, o menino tentou ajudá-lo. Pegou seu chinelo e trouxe o inseto para fora de alcance da aranha. Como ele ficou grudado na sola de seu chinelo, levou-o até a janela e balançou-o até que voou longe. “Ok, já está bom por hoje. Esta aranha minúscula não irá atrapalhar meu sono”. Deitou em sua cama, cobriu-se até a cintura e desligou a luz.
Passaram-se minutos e algum inseto rapidamente pousou-lhe no braço, sem dar muita importância, o garoto apenas deu um tapaço para fazer o inseto cair longe e voltou a dormir. Quando finalmente roncava com a boca aberta e sua baba escorria para o travesseiro, sentiu que alguma coisa havia entrado em sua boca. Rapidamente fechou a boca e foi então que notou algumas cutucadas em sua língua. Não sabia como tiraria o bicho que ali encontrava, levantou ligeiramente e foi até o espelho ver o que era. Abriu a boca e lá estava a aranha a qual o garoto havia roubado sua comida. A aranha deu um pulo dentro de sua boca e encarou-o com seus respectivos 8 olhos e disse: “Seu idiota, como pode roubar meu jantar? Você não tem coração não? Ainda dizem que nós insetos é que possuímos sangue frio”. O menino neste momento, levou um susto tão grande que sua primeira reação foi engolir em seco. Só que ele não engoliu seco, ele acabou por engolir a aranha.
Atordoado, correu para o quarto de seus pais e gritou: “Acabei de engolir uma aranha que falava!”. Os pais dele acordaram com um pulo e perguntaram: “Você engoliu o que???”, o menino notou que acabara por falar demais, sabia que nunca acreditariam na história que a aranha falava e por fim disse: “eu engoli uma aranha viva”. Sua mãe chamou-o para perto e pediu: “Que tamanho tinha essa aranha meu filho?” O menino respondeu: “Assim óó” e tentou demonstrar o tamanho fazendo menção com sua mão direita. A mãe do menino observou sua boca, seus dentes e sua língua e finalmente disse: “Não se preocupe querido, está tudo bem, não vai mais acontecer nada, ela deve ter morrido asfixiada já”.
Continue Reading…
Posted February 26th, 2010. 2 comments
Autora: Laize Kasmirski

Não recomendado para menores de 18 anos
Precisava de mais uma tragada para aliviar a mente, mais uma dose para espairecer meus pensamentos e mais uma picada para que me sentisse mais anestesiada. Ah, que sensação boa, pegar o cigarro com os dois dedos, colocá-lo entres os lábios e logo após de acesso, dar uma inspirada profunda. A bebida faz com que o gosto do cigarro desapareça um pouco da boca, gosto da sensação que a tragada gera, não do cheiro e nem do gosto.
Existe coisa melhor? Somos feitos para viver em busca do prazer, estou sempre buscando o meu particularmente. Em seguida, vou para o banheiro discretamente, pego a seringa já pronta dentro da bolsa e vou penetrando na pele de meu braço. Outra sensação maravilhosa, a agulha faz estremecer o corpo, o conteúdo relaxa a alma.
Saio do banheiro, me sentindo a dona do mundo, ninguém pode interferir meu caminho. Observo ao redor a procura de quem ira saciar o meu outro prazer… Encontro um rapaz bonito, alto, cabelos castanhos claros e olhos verdes. Esse mesmo! Ando em direção a ele, o qual estava apenas com a companhia da cerveja, e pergunto se poderia me sentar ao seu lado. Percebo em seguida que o moço ficou encantando com minha beleza e em seguida encarou os meus peitos. Na hora tive vontade de dar um tapaço, mas tive que aguentar, senão eu estragaria tudo. Ok, vamos iniciar o jogo.
Ele se aproximou de mim rapidamente e sussurrou alguma coisa no meu ouvido (alguma coisa quer dizer que não entendi nada), fiz uma carinha de sexy e dei um sorrisinho maroto, fazendo de conta que havia entendido. Esse foi um dos caras mais estúpidos que já peguei, tudo bem, depois consegui fazer render a noite.
Depois de muito tempo de amolação e papinhos chatos (o indivíduo era um idiota, era de dar nojo). Mas ta, continuei agüentando e quando deu uma brecha ele me lascou um beijo. Ah que horror, será que nem beijar ele sabe? Ok, não perdi o meu foco, precisava continuar… Então, depois de um tempo nesse lenga lenga, resolvi pedir se ele gostaria de ir para algum lugar mais reservado. Lógico que ele aceitou na hora, homens não pensam com a cabeça, eles pensam com o pênis.
Saímos discretamente e seguimos caminhando até ficarmos no meio de um matagal, ele me empurrou contra a árvore e já começou a tirar a cinta. Naquele momento, eu senti um medo me corroendo os ossos, até parecia que era eu a vítima. Não, isso não podia acontecer. Olhei para ele e disse mansamente: “Ow querido, não iremos ter as preliminares?” Vi uma careta sendo feita em sua face, aquilo já fez meu sangue ferver e eu disse novamente num tom mais suave ainda: “Por favor… você quer que seja bom para ambos, não quer?” Ele pareceu se contorcer por dentro, mas aceitou. Puxei minha bolsa e dentro tirei um frasquinho com líquido transparente. Caminhei lentamente e parei diante seu rosto. Puxei sua camisa para fora e abri os botões, ele estava ficando descontrolado. Quando tirei a camisa, comecei a contornar seu corpo com as minhas mãos. Ele se deitou junto as folhas caídas e nitidamente visível, a única parte de seu corpo em pé era seu “membro”. Abri sua calça, peguei o frasco novamente na mão e tirei a cueca. Ao ver aquele frasco na minha mão, perguntou: “O que é isso?” Instantaneamente eu disse: “Ah, isso é um super lubrificante, vai adorar”. Ele fez aquela cara de bobo e levantou a cabeça um pouco mais para ver melhor. Abri o frasco e despejei sobre o pênis. Aquele momento foi inesquecível, ele deu um grito ensurdecedor e agarrou meu braço esquerdo. Com a mão direita livre, peguei o canivete que havia em meu bolso e cortei os dedos que me seguravam. Ele retirou a mão rapidamente e começou a me insultar. Tentou me atacar, eu revidei no mesmo instante e acabei furando seu coração, cortando sua garganta, arranhando seu rosto e por fim, finquei o canivete em seu estomago.
Mais um prazer que tive naquela noite. Outra sensação formidável, fazer um ser inútil se tornar um ser sem vida. Cutuquei seu pênis para ver se o líquido havia funcionado. E funcionou, seu pênis, mesmo depois de morto, permaneceu intacto de pé. Ótimo, fui para a última etapa dos meus prazeres conquistados durante o dia. Sentir prazer depende somente de uma única pessoa, de mim mesma.
Posted February 12th, 2010. 4 comments